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Por que as cidades brasileiras são tão ruins para caminhar

No país, aspectos como acessibilidade, segurança viária e estado de conservação das calçadas se encontram normalmente abaixo de padrões considerados satisfatórios.

Caminhar pelas cidades brasileiras é quase sempre navegar por terreno hostil, propenso a imprevistos desagradáveis. Acessibilidade, segurança viária, segurança pública, poluição visual, poluição sonora e estado de conservação das calçadas estão entre os aspectos que regem a qualidade da experiência do pedestre. No Brasil, todos se encontram geralmente abaixo de padrões considerados satisfatórios. 
Em cinco cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Vitória e Santos), os trajetos a pé podem representar entre 42% e 58% das viagens diárias (incluindo trem, ônibus e automóvel) de uma pessoa. Um estudo de 2004 realizado em 117 quarteirões nas cinco regiões da cidade de São Paulo revelou que 96,6% das calçadas trazem rampas construídas irregularmente e que havia em média 13,8 obstáculos por quarteirão (sendo os mais comuns buracos, degraus transversais e vendedores ambulantes). Os dados estão no artigo “Andar nas cidades do Brasil”, do engenheiro civil e sociólogo Eduardo Alcântara.

O artigo faz parte do livro “Cidades de Pedestres”, coleção de textos e análises que acaba de ser lançada no Brasil pelo ITDP (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento), entidade sem fins lucrativos focada em mobilidade. Com o subtítulo de “A caminhabilidade no Brasil e no mundo”, o livro abrange diversos lados da discussão em torno do pedestre nas cidades. 

O volume é organizado pelo urbanista Victor Andrade, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e diretor do Labmob (Laboratório de Mobilidade Sustentável) e pela diretora-executiva do instituto, Clarisse Cunha Linke. Para os organizadores, a caminhabilidade precisa ser promovida por se relacionar à qualidade de vida da cidade como um todo, incluindo aspectos como o meio ambiente e a saúde pública. 

Além de artigos dos organizadores, a edição traz contribuições de urbanistas internacionais renomados, como o dinamarquês Jan Gehl, responsável pelo projeto que transformou o centro de Copenhague em área de pedestres, e Janette Sadik-Khan, que foi secretária de transportes de Nova York. 

O Nexo conversou por telefone com Victor Andrade e Clarisse Cunha Linke sobre a caminhabilidade e a vida de pedestre nas cidades brasileiras.

Leia a entrevista completa com Victor Andrade e Clarisse Cunha Linke no Nexo