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Nações Unidas lançam metas para o mundo ser mais sustentável

Países se comprometem com 17 objetivos para o desenvolvimento e ao mesmo tempo combater a pobreza e proteger o planeta

Por GIOVANA GIRARDI E JAMIL CHADE - O ESTADO DE S. PAULO

Começa nesta sexta-feira, 25, em Nova York, com direito a abertura pelo papa Francisco, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que vai lançar uma agenda de 17 objetivos para ajudar o mundo a trilhar um caminho de fim da pobreza, proteção do planeta e prosperidade para todos.

Os chamados Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) substituem e ampliam os Objetivos do Milênio - oito compromissos lançados em 2000 que visavam a uma melhora, até 2015, de problemas sociais como pobreza, mortalidade infantil e educação, em países em desenvolvimento. A proposta é que todos os países do mundo cumpram as novas metas (veja galeria abaixo), que devem ser atingidas nos próximos 15 anos.

Os ODSs também têm um foco bem mais amplo. A ideia é tomar medidas que não só diminuam a pobreza, mas protejam o ambiente e permitam o desenvolvimento sustentável.

Pelos próximos três dias, cerca de 150 líderes mundiais vão discutir o tema em Nova York e devem, ao fim do evento, no domingo, ratificar o acordo. A presidente Dilma Rousseff também estará lá e vai aproveitar a ocasião para lançar as metas brasileiras para o combate às mudanças climáticas, como contribuição nacional para a Conferência do Clima da ONU, que ocorre no fim do ano em Paris.

Resultados. Durante a conferência de Nova York, os países discutirão os desafios que têm pela frente. De acordo com a ONU, as ações que foram feitas nos últimos 15 anos em relação aos Objetivos do Milênio retiraram mais de 1 bilhão de pessoas da extrema pobreza, no que a entidade chama de “o maior” programa social da história. Mas a organização reconhece que ainda há muito a ser feito.

A base de comparação para medir os avanços foi o ano de 1990, quando a Guerra Fria chegava ao seu fim. Documentos internos da avaliação realizada pela ONU sobre os programas sociais apontam, por exemplo, que uma menina que nasce hoje “terá maiores chances de chegar aos 5 anos, menos chances de conviver com a fome e mais probabilidade de ir à escola”.

“As metas do milênio ajudaram a tirar mais de 1 bilhão de pessoas da extrema pobreza, a avançar no combate à fome e permitir que um número inédito de meninas esteja nas escolas. Mas, apesar dos ganhos incríveis, as desigualdades persistem e o progresso no mundo não ocorreu em todas as partes”, afirma Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Entre as pessoas com renda de menos de US$ 1,25 por dia, a entidade registrou um avanço importante. Em 1990, essa população chegava a 1,9 bilhão. Em 2015, ela atinge 836 milhões. 

Por pouco a meta de reduzir pela metade a fome não foi atingida. Entre 1990 e 2015, a proporção do mundo que passa fome todos os dias caiu de 23,3% para 12,9%, com um total de 795 milhões de pessoas. Tampouco se alcançou o acesso universal à educação. O grau de participação de crianças em escolas passou de 83% para 91%, enquanto o número de pessoas fora das escolas caiu de 100 milhões, em 2000, para 57 milhões em 2015.
 
Oportunidade. Especialistas defendem que a crise econômica que atinge o Brasil e outras nações pelo mundo pode ser uma oportunidade para a adoção agora dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

“Todas as vezes em que houve momentos desafiadores ao longo da história, a tentação foi focar no curto prazo. Mas o que a história nos conta é que países que abraçaram inovações transformadoras, às vezes nos momentos mais críticos, são os que tiveram mais sucesso. Os ODSs oferecem um importante lembrete de que muitas das crises de hoje são resultado desse pensamento de curto prazo e da falta de transparência. Eles são precisamente um antídoto contra esse oportunismo da política do dia a dia e da atividade econômica”, disse ao Estado Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma (programa da ONU para o ambiente).

“É uma chance de pensar qual vai ser o melhor caminho para retomar o desenvolvimento. Não faz sentido crescer, por exemplo, como São Paulo, que ficou rica, mas tem rios fétidos cortando a cidade. Isso não é sustentável nem é inteligente”, complementa Virgilio Viana, copresidente da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável para a América Latina.

Matéria publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo.