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Moradores de favela do Rio instalam painéis solares em resposta aos preços altos da eletricidade

Por Miriam Meyer

No sábado, 30 de janeiro de 2016, os moradores da favela da Babilônia (Leme) inauguraram as duas primeiras instalações solares fotovoltaicas no Mirante da Babilônia, no Leme.

De acordo com um grupo de moradores unidos a frente da RevoluSolar, uma nova associação sem fins lucrativos, a inauguração marca o início da independência energética e uma transição democrática de energia renovável para a favela da Babilônia. Os preços da eletricidade no Rio quase dobraram nos últimos dois anos (R$ 0,48kWh em janeiro 2014, para R$ 0,90 kWh em janeiro 2016).

Através do trabalho voluntário coletivo que envolve eletricistas e empreendedores da favela e da Associação de Moradores da Babilônia, um grupo de moradores criou a RevoluSolar que visa informar e educar a população local sobre os benefícios sociais, econômicos e ambientais com o uso da energia solar. Cálculos iniciais da RevoluSolar estimam que o retorno sobre o investimento será alcançado no prazo de 6 anos, após os quais a luz gerada pelos painéis solares será de graça para, no mínimo, 19 anos.

Pol DHuyvetter (53), presidente da RevoluSolar declarou: "Energia solar não só vai resolver o problema das contas de luz muito alto para as famílias de baixa renda, mais também  capacitar as pessoas que sofreram da exclusão social e dar orgulho". Segundo ele, o projeto é um exemplo de desenvolvimento sustentável, com benefícios sociais, econômicos e ambientais para a comunidade. Pol DHuyvetter vive no Brasil desde 2009 e é um membro de longa data da Ecopower, uma cooperativa de energia renovável que conta com mais de 50.000 famílias associadas na Bélgica.

As duas primeiras instalações solares nos telhados do bar, restaurante e pousada Estrelas da Babilonia e no Babilonia Rio Hostel, duas empresas locais, foram possíveis graças a um programa de micro crédito para moradores de favelas da AG RIO, uma agência estatal. Ambos os proprietários calcularam um retorno muito significativo do investimento.

Confrontado com o aumento dos preços da empresa LIGHT, o presidente da Associação de Moradores da Babilônia, André Luiz Abreu de Souza, afirma que pretende chamar a atenção dos moradores para o enorme potencial das instalações de energia solar em seus telhados.

Com um número crescente na favela de famílias interessadas em se tornar produtores de energia, o objetivo da RevoluSolar é a criação da primeira cooperativa de produção de energia renovável no Brasil. A RevoluSolar já recebe o apoio da Organização de Cooperativas do Brasil (OCB) e da Viva Rio, entre outras organizações.

O Brasil ainda não faz uso de energias renováveis descentralizadas. Em novembro passado, a ANEEL, a agência reguladora de energia elétrica no Brasil, contava apenas com 1.285 pequenas unidades geradoras de energia elétrica, dos quais 1.233 (96%) solar. A ANEEL acompanhará de perto a implantação das novas regras do Sistema de Compensação e prevê que até 2024 cerca de 1,2 milhão de unidades consumidoras passem a produzir sua própria energia, totalizando 4,5 gigawatts (GW) de potência instalada. A previsão é que a alternativa revolucione o mercado. A RevoluSolar, por sua vez, diz estar pronta para desempenhar um papel cooperativo.

Matéria publicada pelo site Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares.