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Montadoras ampliam investimentos para carros elétricos

FERNANDO VALEIKA DE BARROS, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE FRANKFURT - FOLHA DE S. PAULO

Tangidos por regras cada vez mais rígidas de emissão de fumaça e com baterias cada vez mais baratas, montadoras estão olhando para os motores elétricos como a mais viável das soluções. 

Onipresentes no Salão do Automóvel de Frankfurt, na semana passada, carros com emissão zero mostram que vieram para ficar.

"A mobilidade terá de ser sustentável e limpa", disse o alemão Matthias Müller, presidente do grupo Volkswagen. "Está acontecendo uma transformação radical na indústria automotiva -e nós queremos estar entre os líderes deste processo".

Müller anunciou investimento de € 20 bilhões (R$ 74,762 bilhões) para que todos os carros do grupo,que reúne 12 marcas tenham opções limpas. Em oito anos serão 50 novos elétricos e 30 híbridos. E 300 modelos com propulsão elétrica até 2030.

As mudanças no setor são impulsionadas pelos limites cada vez mais apertados de emissão de poluentes. Em 2021, 95% da frota de cada montadora terá de emitir no máximo 90 g/km de CO2.

A multa por grama excedente será de € 95 por grama excedente -e por carro.

Apesar da geração atual de motores a combustão ser a mais eficiente já criada, só com motores elétricos (ou ao menos híbridos) os novos limites serão alcançados.

França e Reino Unido já anunciaram que carros com motor convencional não serão permitidos a partir de 2040.

Cidades como Atenas e Madri prometem banir os movidos a diesel a partir de 2025. Estes movimentos explicam porque carros limpos estão deixando de ser um nicho, com cerca de 1% do mercado.

Outras montadoras fazem movimentos similares. A BMW, que desde 2013 criou uma marca para seus híbridos e elétri­cos -a "i"- anunciou ofensiva para fazer 25 modelos híbridos e elétricos dentro de oito anos.

Harald Krüger, presidente mundial da BMW, prometeu que todos os modelos do grupo terão versões híbridas ou elétricas. Marcas do grupo já dão bônus a quem trocar carro a diesel por um que cumpra regras mais estritas.

"Lançaremos nove carros com motores elétricos nos próximos anos", disse.

A Daimler -que controla a Mercedes-Benz-, anunciou que planeja oferecer versões híbridas ou elé­tricas para cada um de seus modelos.

A regra vale até mesmo para um superesportivo como o Project One, com mil cavalos sob o capô, mas dotado de motores elétricos nas rodas e sistemas de recuperação de energia derivados da F1.

A partir de 2020 a Smart, também do grupo e especializada em compactos, tomará uma decisão ainda mais radical: nenhum carro terá motor a combustão. "Fazer só elétricos é um passo definitivo", disse a CEO da Smart, Annette Winkler, a metros do protótipo Smart Vision EQ.

O protótipo terá sensores e um processador de inteligência artificial. "Dentro de alguns anos carros não precisarão mais de volantes ou pedais", diz a CEO.

As transformações na indústria es­tão ocorrendo mais rápido do que se imaginava.

Segundo relatório da Bloomberg New Energy Finance, entre 2025 e 2030 o preço de carros movidos a bateria será competitivo com os de motor tradicional- e mesmo tirando subsídios da jogada.

Parte da competitividade vem do custo menor e da maior eficiência das baterias de íon de lítio, que caíram 65% desde 2010, para cerca de US$ 300 o quilowatt/hora.

A expectativa da consultoria é que despenque para cerca de US$ 73 em 2030. Sua previsão é que, em 2040, a frota de carros elétricos some 530 milhões pelo mundo.

Matéria publicada na Folha de S. Paulo.