Início > Noticias > Evento do Fórum Social Mundial debate reforma política e cidades sustentáveis

Evento do Fórum Social Mundial debate reforma política e cidades sustentáveis

Por Beto Gomes, de Porto Alegre - Programa Cidades Sustentáveis 

O Fórum Social Mundial promoveu, na manhã desta quinta-feira (19), a plenária Democracia, Reforma do Sistema Político e Cidades Sustentáveis, atividade realizada na Assembleia Legislativa de Porto Alegre que reuniu representantes de diversas organizações e movimentos sociais, incluindo a Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis. 

Carlos Alberto Castro, da Associação Software Livre.org, abriu o evento falando sobre a necessidade do acesso à tecnologia e destacou o legado que o uso livre de sistemas informatizados pode deixar para a população: “Há muitas coisas que não precisamos começar a desenvolver do zero, porque já estão aí, prontas para serem usadas e disponibilizadas”, comentou. “O que precisamos é de estratégias para que isso aconteça”.  

José Antônio Moroni, da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política, defendeu mudanças profundas no sistema político brasileiro, para além de uma reforma proposta pelo governo. Ele também ressaltou a necessidade de fortalecimento da democracia direta e destacou que os atuais instrumentos de decisão popular são limitados em sua própria origem. “Só o Congresso pode convocar a população para plebiscitos e referendos, por exemplo. Mas eles [os parlamentares] convocam o que querem, quando querem, decidem o assunto e elaboram as perguntas”, criticou. 

Para Moroni, o único instrumento de participação popular no processo de decisão política é o voto – e isso também gera problemas. “O parlamento de qualquer país tem de ser o espelho da sociedade. Mas, no Brasil, temos um Congresso formado por uma maioria de brancos, heterossexuais e grandes proprietários. Os jovens são apenas 6%, e, mesmo assim, representam uma oligarquia que se perpetua há décadas no poder”, argumentou.

O prefeito reeleito de Rio Grande (RS), Alexandre Lindernmeyer, também integrou a mesa e falou sobre a importância do orçamento participativo popular como instrumento de apropriação da cidade. “As assembleias de orçamento participativo permitem que as pessoas se aproximem das principais questões do município e discutam suas prioridades”, disse ele.

Representante da Rede Brasileira de Orçamento Participativo, Lindernmeyer também falou sobre os desafios desse instrumento. “É preciso fazer as pessoas participarem do debate. As decisões sobre as prioridades de um município ainda saem direto dos gabinetes”, avaliou. 

Antes de abrir o debate para os demais participantes da plenária, Luanda Nera, coordenadora de comunicação da Rede Nossa São Paulo e representante da Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis, falou sobre o Programa Cidades Sustentáveis e o Plano de Metas como instrumentos para aprimorar a gestão pública municipal. 

Na sexta-feira (20), a programação do Fórum Social Mundial terá duas atividades organizadas pela Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis e pelo Programa Cidades Sustentáveis: A construção de Mapas das Desigualdades como instrumentos de transformação – as experiências da sociedade civil de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro; e Programa de Metas (Prometa) em Porto Alegre – ferramenta inovadora e eficaz de controle e acompanhamento das ações da prefeitura.

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezini (PSDB), confirmou presença no evento que abordará a implantação do Plano de Metas na capital gaúcha.