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Coordenador da Rede Nossa São Paulo defende que se pense sustentabilidade a longo prazo

Empresário Oded Grajew esteve na capital gaúcha para convidar o prefeito Nelson Marchezan a incluir Porto Alegre no programa Cidades Sustentáveis

Por Rodrigo Müzelli, do jornal Zero Hora

Nesta semana, o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew, convidou o prefeito Nelson Marchezan a incluir Porto Alegre no programa Cidades Sustentáveis, que busca uniformizar boas práticas de gestão nos municípios. Em conversa com Zero Hora, o empresário frisou a necessidade de pensar políticas para o futuro e, em um cenário de falta de recursos no setor público, engajar a sociedade civil. 

Veja trechos da entrevista:

Quais são os principais fatores que um município precisa se preocupar para ser uma cidade sustentável?

Se pudermos resumir, é uma cidade que melhore a qualidade de vida das pessoas no presente, e pensando no futuro. É muito importante pensar no futuro, porque, às vezes, você pode ter uma ação que melhore a vida das pessoas no curto prazo e danifique o todo mais adiante. Se você facilita o transporte individual, com uma grande avenida ou ponte, pode desafogar o trânsito em um determinado setor. Mas se deixar de incrementar o transporte coletivo por isso, pode criar um problemão lá na frente, ao incentivar o transporte individual. Gestão sustentável é melhorar a qualidade de vida não só no momento, mas ao longo do tempo.

Muitas vezes, políticas públicas mais demoradas e com resultados a médio prazo ficam para trás por não aparecerem a tempo da eleição. Como pensar à frente nesse cenário?

Se você explica o sentido de cada meta, mesmo que isso ultrapasse uma gestão, acaba ganhando o apoio da população. Por exemplo, o metrô, que demora, mas explicando como ele muda a qualidade de vida das pessoas, vai ter o respaldo da sociedade mesmo que não fique pronto naquela gestão. Tendo o diálogo e explicando o que vai acontecer, isso atende o desejo do prefeito em ter respaldo da população.

Que cidades trazem bons exemplos de gestão sustentável a Porto Alegre?

Campinas, por exemplo, organizou a gestão urbana em torno da agenda de Cidades Sustentáveis. Há um conjunto de cidades no oeste do Paraná que se organizaram incentivadas por Itaipu, que são mais de 50 municípios menores, com agricultura familiar consumida nas escolas, reciclagem e recuperação da água, e seguem esse princípio. Um dos indicadores importantes hoje na cidade é fazer com que as pessoas tenham tudo o que precisam no dia a dia perto de casa. Em Vitoria-Gasteiz, na Espanha, 99% da população tem suas necessidades diárias a menos de 300 metros de casa. É possível implantar leis prevendo isso. É uma questão de definir as prioridades.

Como planejar uma cidade sustentável em uma época que as prefeituras estão com as finanças no vermelho?

Uma boa gestão é ainda mais necessária quando estamos com escassez de recursos. Quando falamos em sustentabilidade, ela é inclusive financeira. Trabalhar com indicadores, estabelecer metas, é ainda mais necessário. Nos obriga a fazer escolhas nos investimentos, o que é importante ou não. O programa mostra o que pode ser deixado de lado. Além disso, o prefeito tem um poder de convocação e de trabalhar com a sociedade. Ele pode fazer com que o orçamento seja aumentado. Olhar os recursos não só da prefeitura, mas também da sociedade. É um exemplo que fizemos em São Paulo, o Fórum Empresarial de Apoio à Cidade. Cada secretaria abria oportunidade de parcerias e as empresas se encaixavam onde poderiam colaborar. Se eu não tenho dinheiro para equipar uma biblioteca, será que não tem uma editora que pode ajudar?

Aproximar as pessoas e empresas.

E provocar: o que eu posso fazer para a minha cidade? Se todos jogarem menos lixo na rua, cai o custo de varrer a rua, de limpeza. A mobilização das pessoas é fundamental. Cheguei em Porto Alegre, fomos almoçar e sobrou muita comida. Os restaurantes jogam fora. Por que não fomentar bancos de alimentos, que existem em todas as cidades dos Estados Unidos? Canalizar excessos para melhorar carências. Isso é mobilizar todo mundo em torno da cidade. Cada um tem uma forma de contribuir: conhecimento, trabalho, tempo, serviço... Em tempo de escassez de recursos, o poder de convocação de um prefeito pode suprir o que a falta de orçamento não permite realizar. Criatividade, parceria com a sociedade e boa gestão. Aprimorar a gestão dos colaboradores, por competência, e não por favorecimento político.

Foto: Luciano Lanes / PMPA

Matéria publicada no jornal Zero Hora.

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