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Atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode gerar milhões em economia e empregos

Por Priscila Pacheco - The City Fix Brasil

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) anunciados pela ONU em 2015 formam um conjunto de metas abrangente, de longo alcance e com foco nas pessoas. As metas envolvem diferentes áreas – agricultura, educação, equidade de gênero, água e saneamento, energia, clima e cidades, para citar apenas alguns. Além dos ganhos substanciais para a sustentabilidade do planeta e para a saúde e qualidade de vida das pessoas, concretizar esses objetivos implicaria uma economia significativa. Um novo estudo mostrou que atingir os ODS de apenas quatro setores – alimentos e agricultura, cidades, energia e materiais, saúde e bem-estar – pode gerar US$ 12 trilhões em novas oportunidades econômicas até 2030.

O fato é: esse valor representa importantes benefícios não apenas para a economia, mas para as pessoas. Conforme as análises do relatório, investir nesses quatro setores pode criar 380 milhões de novos empregos até 2030. Mais pessoas trabalhando em empregos criados a partir do investimento em práticas que reduzem o impacto no meio ambiente, maior o potencial e o alcance do desenvolvimento sustentável.

Nas cidades

As cidades ocupam um papel estratégico no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável. Responsáveis por 70% das emissões de gases do efeito estufa e abrigando mais de metade da população mundial, as áreas urbanas enfrentam o desafio de oferecer todos os serviços para atender às necessidades dessa população, que ainda deve crescer nas próximas décadas.

Atualmente, mais de 5,5 milhões de mortes prematuras por ano são decorrentes da poluição atmosférica e de condições precárias de habitação. Casos de obesidade são quatro vezes mais frequentes nas áreas urbanas do que nas rurais. E os congestionamentos podem custar bilhões de dólares às cidades. Por outro lado, essas mesmas áreas urbanas em desenvolvimento são também centros de oportunidades e crescimento econômico e podem liderar a mudança rumo a um futuro mais sustentável. O relatório aponta as principais áreas de oportunidades nas quais as cidades podem investir para alavancar a sustentabilidade:

- Habitação acessível. Eliminar as habitações precárias existentes e suprir o déficit habitacional até 2025 pode chegar a um custo de até US$ 16 trilhões. Existe uma lacuna considerável entre a renda da população disponível para habitação e os valores de mercado. Eliminar ou reduzir essa disparidade requer buscar novos espaços e promover um melhor uso; por exemplo, oferecendo “bônus de densidade” aos desenvolvedores e empregando técnicas para um uso eficiente dos recursos.

- Eficiência energética das edificações. O setor de construção responde por cerca de um terço do consumo final de energia e por mais de metade da demanda de eletricidade no mundo. Esse gasto de energia poderia ser reduzido com a implantação tecnologias mais eficientes de aquecimento e resfriamento nos edifícios já existentes e o uso de lâmpadas e aparelhos elétricos mais econômicos.

- Veículos híbridos e elétricos. Pesquisas de mercado preveem que a venda de veículos híbridos e elétricos vá saltar das 2,3 milhões de unidades vendidas em 2014 para 11,5 milhões até 2022. Considerando uma vida útil média de 15 anos, a frota global de veículos de passageiros seria totalmente substituída até 2030 – uma oportunidade para o setor, desde que os preços continuem a cair e os investimentos em infraestruturas necessárias, a crescer.

Investir nesses setores pode contribuir para a criação de novas oportunidades de trabalho e um crescimento econômico mais sustentável. O estudo estima ainda o potencial financeiro desse investimento:

- US$ 3,7 trilhões: o potencial lucro de atingir os ODS relacionados às cidades. A maioria dessas oportunidades está nos setores de transporte e construção.

- 166 milhões: número estimado de novos empregos nas áreas de eficiência das edificações, eficiência veicular e habitação acessível, além de outras oportunidades urbanas. Desse total, acredita-se que 49 milhões estão na China e 32 milhões na África.

- US$ 800 bilhões: lucros gerados pela modernização de edifícios existentes com aparelhos elétricos e sistemas de iluminação, aquecimento e resfriamento mais eficientes.

Esses são apenas alguns exemplos de como cidades, empresas e pessoas podem se beneficiar, também financeiramente, de práticas que fomentem a sustentabilidade urbana. A prova de que crescimento econômico e desenvolvimento sustentável podem ser não concorrentes, mas complementares.

Matéria publicada no portal The City Fix Brasil.