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Após um ano, plano climático do Brasil não saiu do papel, afirma especialista

GIULIANA MIRANDA, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE S. PAULO

O lançamento de um relatório que identifica as principais vulnerabilidades das cidades da costa brasileira é uma contribuição valiosa para orientar políticas públicas que evitem mortes e prejuízos econômicos, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl.

O especialista em mudanças climáticas alerta, porém, que é preciso começar a tirá-las do papel, o que o Brasil não está fazendo.

"O Brasil tem o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que passou por um intenso debate no processo de elaboração e lista medidas importantes para adaptar o país ao aumento global de temperaturas. Infelizmente, ele não começou a sair do papel", diz Rittl.

Instituído no apagar das luzes do governo Dilma –em 10 de maio de 2016, poucos dias antes do impeachment–, o plano que lista medidas prioritárias para que o Brasil esteja preparado para os piores efeitos do aquecimento global não teve nenhuma de suas medidas efetivamente implementada.

Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, o Brasil, na verdade, vive um retrocesso em suas políticas ambientais e climáticas.

"É uma tragédia. O desmatamento na Amazônia e na mata atlântica disparou. Fora os projetos, capitaneados pela bancada ruralista, que podem esvaziar a legislação de licenciamento ambiental".

TRUMP

O fato de o presidente Michel Temer não ter se manifestado contra a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris –pacto mundial para a redução de emissões de gases-estufa– anunciada por Donald Trump na quinta (1º) foi simbólico, segundo Rittl.

"No Brasil, quem assinou a nota foram os ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, não o presidente. Na França, o próprio Macron [Emmanuel] fez uma condenação enfática".

A saída americana do pacto do clima representa um retrocesso significativo, mas a resposta da comunidade internacional, e até de setores do partido Republicano nos Estados Unidos, dão esperança de que ainda é possível acreditar na agenda ambiental e na redução das emissões de carbono, analisa Rittl.

A resposta global, de fato, não tardou a aparecer. Os 28 países da União Europeia assinaram um comunicado conjunto reforçando o compromisso do continente.

O primeiro-ministro da China (atualmente maior emissor global de gases-estufa), Li Keqiang, anunciou que Pequim segue apoiando o acordo: "A China vai assumir as suas responsabilidades nas alterações climáticas".

Nos EUA, vários governos locais anunciaram que seguirão suas políticas de auxílio às metas dos objetivos do Acordo de Paris, apesar da posição oficial de Washington.

Matéria publicada na Folha de S. Paulo.